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21/04/2017 08h45
Desaparecimento de jovem na região pode estar ligado ao jogo da “Baleia Azul”
(Foto: Gerson Lopes/ON)

No início desta semana, um adolescente de 15 anos desapareceu, em São José do Herval, no interior do Rio Grande do Sul. Em seu quarto, manchas de sangue foram encontradas. Conforme a Delegacia de Polícia (DP) de Fontoura Xavier, que atendeu a ocorrência, o fato inicialmente não teve relação com o jogo da ‘Baleia Azul’ - um desafio que induz jovens a cometerem atos como automutilação e termina com o suicídio do participante.

Mais tarde, devido as circunstâncias, foi levantada a hipótese do sumiço estar relacionado com o jogo, apesar de nada ter sido registrado na delegacia. A polícia o localizou horas mais tardes, em um matagal a mais de 10 quilômetros de onde mora, e ele foi entregue a família. A mãe do adolescente, que preferiu preservar a identidade, informou apenas que o sumiço pode estar relacionado ao desafio pelo teor do conteúdo encontrado no celular do garoto. A familiar informou que ele passa bem.

O que é o jogo da “Baleia Azul”?

Um dos assuntos mais comentados da semana nas redes sociais e em portais de notícias, que vem preocupando autoridades policiais e deixando pais em alerta é o jogo da Baleia Azul - ou Blue Whale em inglês. O jogo consiste em 50 desafios que começam com mutilações, visualização de filmes de terror, e finalizam com o suicídio do participante. A origem do jogo é creditada à Rússia e já vitimou mais de 130 jovens no país. No Brasil, já há pelo menos dois casos de adolescentes encontrados mortos com suspeita de relação ao desafio. O professor da UPF e doutor em Informática na Educação, Adriano Teixeira, explica a lógica do jogo: “existem gurus que vão dando desafios e a pessoa vai cumprindo. Estes desafios têm complexidades cada vez maiores e no final das contas, o último desafio, seria tirar a sua própria vida. Mas, claro, não se tem certeza se os casos que aconteceram foram de fato vinculados ao jogo da Baleia Azul”.

Nunca na história da internet, que já soma pelo menos 20 anos, se viu algo semelhante, segundo Teixeira. “Pode estar ligado ao fato da crescente disseminação de informação. A internet também nunca foi tão disseminada como foi hoje. Todo mundo tem acesso e pessoas cada vez mais jovens têm acesso. A maioria das pessoas envolvidas nesse jogo, que vão ao extremo, são pessoas mais jovens, então a gente tem uma situação de que as crianças têm livre acesso a tecnologia e ainda não desenvolveram uma maturidade sobre o acesso dessa tecnologia”, acrescenta o especialista.

Esse acesso facilitado às redes sociais muda os conceitos de perigo e preocupa, conforme o delegado titular da DP de Soledade, Guilherme Pacífico. “Essa Baleia Azul expõe os nossos jovens e inverte a lógica de que eles estariam mais desprotegidos fora de casa, e deixam eles mais vulneráveis no próprio ambiente familiar”, aponta Pacífico.

Por isso, o jogo alimenta o debate e o alerta sobre o olhar e o cuidado dos país às coisas nas quais seus filhos estão expostos no mar de informações da internet. “De um outro lado temos a escola e a família. A escola, na realidade, não está muito preocupada com isso porque não sabe como utilizar: ela nega, proíbe, e se faz isso não ajuda a criar a cultura. E os pais não tem muito tempo, nem todos conseguem dar conta disso. Então você tem uma conjuntura perfeita para que isso aconteça”, acredita o professor.

Quem pode estar por trás?

Adriano Teixeira expõe algumas hipóteses sobre quem são os responsáveis ou controladores do jogo. Para ele podem ser quadrilhas de pessoas, ou que podem ser bots – também conhecidos como os robôs da internet. “Quando a gente pensa em robô lembra de humanoides, o robô físico, mas os robôs podem só ser algoritmos de engenharia social, como se fossem inteligências artificiais que vão interagindo com as pessoas e criando uma base de conhecimento a partir do que as pessoas vão te respondendo. Eles vão interagindo com você. É baseado em computação cognitiva: um algoritmo que aprende não só com a interação com o indivíduo, mas com todo mundo. Mas isso também é um boato, não foi comprovado”, afirma.

Algo que explicaria a teoria dos bots é fato de ter 50 fases fixas. “Como tem estes desafios, a medida que vão acontecendo eu vou mandando a próxima. A segunda questão é que isso é um fenômeno mundial. Então do outro lado, se fossem seres humanos, quantos seres humanos teríamos que ter para dar conta deste diálogo sendo estabelecido em todos os idiomas conhecidos? O que pode ter acontecido é que alguém tenha desenvolvido esse jogo com o intento de levar a pessoa ao suicídio. Do nada ele não surgiu, alguém teve que programar”, declara o doutor em Informática. Teixeira aponta que é muito difícil não rastrear quem fez isso, se analisado da ótica da tecnologia. Ainda que se use de vários locais, é possível, com um alto investimento em inteligência, descobrir quem fez e de quais máquinas.

Fenômeno “do virtual pro real”

Sobre a relação de jogos que misturam real e virtual, o professor aponta que geralmente não o game não atravessa essa barreira. Isso pode ser uma explicação para o fato de o jogo ter se tornado viral: as pessoas têm um jogo que está no celular e que vai ter implicações diretas no mundo real. De acordo com Teixeira, o desafio extrapola conceitos que já se viu em jogos como o Pokemon Go, por exemplo. “Não é nem realidade virtual e nem realidade aumentada: seria uma realidade ao contrário. Porque na realidade aumentada eu tenho na tela do meu celular eu estou vendo o mundo real na tela e o software coloca alguma coisa no mundo real, alguma coisa digital naquela tela. O Baleia Azul tem uma ação direta na vida da pessoa fora do celular. Fora do ambiente digital porque ele tem que fazer alguma coisa fora daquele ambiente e talvez seja isso que chama tanto a atenção do jovem: o fato de poder ir para fora do celular”, enfatiza o especialista.

Orientações aos pais

O professor aponta duas questões que podem evitar essas situações como o Baleia Azul. É preciso criar situações em que as crianças e os jovens possam, ao ser assistidos pelos adultos, desenvolver maturidade. E isso se dá por dois caminhos:

1) Utilizando a ferramenta. Eu não posso criar maturidade na utilização do celular se eu sou proibido de fazê-lo ou se eu preciso usar de forma marginal. Isso serve principalmente às escolas. Quando as escolas proíbem o uso do celular e não levam a discussão para dentro da sala de aula, elas estão deixando uma oportunidade importantíssima de discutir o que é certo, o que é errado, o que não tem sentido e por aí vai.

2) A outra questão é o acompanhamento dos pais. Nunca se deve proibir do acesso, porque aí se está proibindo não apenas o acesso ao Baleia Azul, mas a outras coisas muito legais, inclusive o acesso dos pais aos filhos. É necessário que o discurso de acompanhamento dos pais, quando o filho tá vendo televisão ou na internet, saia do discurso e passe para prática corriqueira e verdadeira. É importante que os pais acompanhem sim e nunca proíbam: a proibição é o caminho mais fácil para a contravenção, ou seja, eu não posso acessar por aqui, mas encontro outro meio para isso. É preferível que se discutam essas questões que a gente vai poder resolver a partir da maturidade.

ONDE BUSCAR AJUDA

Centro de Valorização da Vida

Oferece ajuda por telefone, chat, skype, e-mail e presencialmente

Telefones 141 (24 horas, para todo o país) e 188 (gratuito, apenas para o RS)

www.cvv.org.br

facebook.com/cvv141

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